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Palestra marca Dia da Consciência Negra na Suprema

21 de novembro de 2017

Palestra marca Dia da Consciência Negra na Suprema

A Suprema trouxe uma discussão sobre o racismo na saúde para debater durante o Dia Nacional da Consciência Negra. O evento aconteceu ontem, segunda-feira, dia 20, no Anfiteatro da Faculdade, e contou com a participação de Gilmara Mariosa, doutoranda em psicologia da UFMG.


De acordo com a Coordenadora do curso de Enfermagem, professora Érika Bicalho, o objetivo da palestra é trabalhar a consciência negra com os estudantes da área de saúde, para que o atendimento deles tenha esse olhar, das diferenças raciais, e que eles consigam englobar as necessidades específicas da população como um todo.


"É importante debater políticas públicas, porque algumas delas são voltadas para esse público, de forma a atingir necessidades mais específicas. Principalmente relacionada a violência urbana, ao preconceito, a dificuldade de se enxergar no mundo de forma consciente e ampla, de igualdade. É importante que todos os estudantes tenham essa visão, principalmente para que o preconceito não se perpetue na comunidade acadêmica e que todos sejam vistos de forma mais igualitária", afirma Érika.


Ainda de acordo com a docente, esses eventos, muitas vezes, são as únicas oportunidades que os estudantes têm de ouvir pessoas envolvidas com o assunto, que são engajadas com os movimentos. "Às vezes ele não tem esse contato, então é papel da instituição oferecer ao estudante uma visão mais ampla do mundo, de uma forma mais diferenciada. Aqui é o momento de que todos falem a mesma linguagem. Isso faz parte de um processo de formação", conclui.


Gilmara Mariosa expõe que é preciso conversar com os discentes sobre racismo, como que ele atua na sociedade e falar sobre as implicações do preconceito na saúde para a população negra. E qual a importância do profissional da saúde em estar atento a estas questões, para não reproduzir práticas racistas no seu cotidiano.


Um exemplo claro de racismo na saúde, segundo Gilmara, é quando "chega no pronto socorro, um feriado a bala, e se o mesmo for negro, o médico que realiza o atendimento procura saber informações sobre o ocorrido, antes de fazer qualquer tipo de procedimento. Porém, se o ferido a bala for branco, o médico faz primeiro o tratamento, para depois coletar as informações", exemplifica.


"Muitas das vezes, os profissionais da área de saúde reproduzem estes discursos sem se darem conta de que estão sendo racistas. Já está internalizado dentro da cultura e é preciso alertar para que as pessoas fiquem atentas, se policiem mais".


A pesquisadora também afirma que é importante debater políticas públicas para a população negra porque é uma população que já sofre, em determinados aspectos, de forma diferenciada. "Existem doenças específicas que atingem esta população como a anemia falciforme, ou outras doenças que têm uma incidência maior como a hipertensão, diabetes e miomatose. A gente sabe que a maioria de mortalidade materna e neonatal são maior na população negra e é importante criar políticas públicas para ver e identificar porque isso acontece com esse público. Sem falar também os casos de violência e discriminação, principalmente violência ginecológica e obstétrica. As mulheres negras recebem menos anestesia no parto, as vezes têm um número menor de consultas médicas, ou com um tempo mais reduzido, isso já comprovado por pesquisas. É preciso a gente atuar para resolver esta situação", afirma Gilmara.


Gilmara diz que uma das formas de mudar esta situação já está sendo implementada, como as cotas e o Prouni, programa do governo federal. Mas é preciso atuar em outras frentes, como a redução da desigualdade social e econômica, para poder possibilitar que essas pessoas tenham mais acesso a serviços e direitos.


Uma outra maneira de combater o racismo seria o profissional da área de saúde ter uma visão mais ampla e uma formação mais adequada. "A gente precisa trabalhar com a perspectiva de ampliar os currículos. É preciso que o profissional, ao longo da sua formação, seja preparado para trabalhar com cada público especificamente, como negros, idosos, indígenas, porque cada grupo desse tem a sua especificidade", comenta. "Se você é um profissional da saúde e vai trabalhar com esses públicos, tem que estudar sobre esse público para não cometer equívocos".

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