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Suprema abre espaço para discutir a relação médico-paciente com os estudantes

06 de novembro de 2017

Suprema abre espaço para discutir a relação médico-paciente com os estudantes

A Suprema propõe mais uma forma de ajudar e melhorar a vida do estudante de medicina. A partir deste semestre, o aluno que sentir necessidade, terá o apoio do Grupo Balint, elaborado pelo Núcleo de Apoio ao Discente e ao Docente (NADD) e o Programa de Mentoring.


O Grupo Balint consiste em abordar temas como dificuldade de relacionamento, intolerância, para trabalhar a relação médico-paciente. Vem ao encontro da construção de um currículo mais humanizado que a Suprema propõe, algo mais recente e atual. O Grupo Balint, no entanto, atenderá apenas alunos do curso de medicina entre o 9º e 12º período. "Vamos incluir a saúde mental no internato, indo para uma direção de uma medicina mais humanizada, para se atentar ao relacionamento com o paciente", explica a Coordenadora do Programa de Mentoring, a professora Laura Bechara.


O objetivo principal é trabalhar a relação médico-paciente, com os estudantes do internato, através de casos clínicos, que são trazidos pelos próprios alunos. "A nossa proposta é trabalhar no internato, porque os estudantes estão na prática com pacientes", informa Renata Araújo, psicóloga do NADD.


O trabalho no grupo é um espaço para o acadêmico discutir, pensar, refletir na relação médico-paciente que está vivenciando. "A ação é através de grupos, o estudante vai vir e fazer o relato do caso, e através de todo um passo a passo, iremos trabalhar o caso e tornar algumas questões mais conscientes. É um trabalho subjetivo, porque não se aprende em sala de aula, cada relação é diferente uma da outra", esclarece Laura.


O grupo é importante para os alunos poderem perceber que sentimentos aparecem na relação com o paciente, principalmente aqueles casos que geram uma certa intriga, uma inquietação por parte do estudante. "Por que aquele caso gerou uma certa inquietação para ele, por que ele se sentiu intrigado por aquilo? E aí ele pode dizer disso, do caso, no grupo e há um espaço para trabalhar o que apareceu nessa relação médico-paciente. Eles começam a estar mais atentos ao seu posicionamento com aquele paciente. O cenário ideal, é que seja um paciente que tenha continuidade do tratamento com o estagiário, para que num segundo encontro com o paciente, ele possa perceber mais o que está aparecendo na relação. É uma escuta bem atenta, a si mesmo e àquela relação estabelecida", comenta Renata.


Tanto Renata quanto Laura fizeram um curso de liderança de Grupo Balint, no Rio de Janeiro, no final de julho. De acordo com elas, apenas quem faz o curso é capacitado para ser facilitador de Grupo Balint. "Foi um curso de imersão, de quatro dias, com palestrantes internacionais, com representantes da Associação Internacional de Grupos Balint. Foi a primeira vez do curso no Brasil. Depois do curso, quisemos aplicar aqui na Suprema", diz Laura.


Além disso, a Suprema também tem interesse em cuidar da saúde mental do estudante de medicina. "Esta é mais uma forma deles terem um espaço de escuta, de acolhimento, de construção de vínculo e poder trabalhar estas questões com eles, para além do desenvolvimento acadêmico-cognitivo, mas o desenvolvimento de habilidades socioemocionais", destaca Renata. Laura confirma e ainda ressalta que o Grupo Balint é mais um espaço de fala, em que o aluno pode de fato, expressar seus sentimentos, que muitas vezes é inconsciente. "No grupo evita-se o acumulo de angústia, que é o que hoje se combate. É mais um espaço de fala, onde eles podem se colocar, se perceber, se resguardar, e como consequência, aprender a lidar com o outro", pondera.

 

Os estudantes interessados em participar do Grupo Balint podem preencher com o nome e o período a lista de interesse na secretaria do anexo HMTJ. Maiores informações, pelos e-mails: nadd@suprema.edu.br e mentoring@suprema.edu.br

 

 

O método


O Grupo Balint consiste na participação em reuniões regulares de discussão em grupo, sob a orientação de dois facilitadores. Este tipo de trabalho foi criado nos anos 50 por Michael Balint, médico e psicanalista inglês.


É um grupo formado por um pequeno número de participantes, que estão interessados em melhorar as relações interpessoais com os seus pacientes.


As reuniões consistem em ouvir a história de um caso recente, após o qual todos os membros do grupo discutem esse caso concentrando-se a discussão no relacionamento médico/paciente. Tentam debater em particular e estar atentos aos sentimentos que o doente desperta neles próprios.


Quem foi Michael Balint


Psicanalista e bioquímico húngaro, formou-se em medicina em 1918, qualificando-se em neuropsiquiatria, filosofia, química, física e biologia.


Durante um tempo, fez análise com Hanns Sachs. Insatisfeito, Balint termina com Sándor Ferenczi e torna-se seu aluno, amigo e sucessor. Lança as bases teóricas do que mais tarde iria se constituir no terceiro grupo ou Grupo Independente (os outros dois são os freudianos e os kleinianos). Foi presidente da Sociedade Psicanalítica Britânica.


Tornou-se consultor psiquiatra da Clínica Tavistock (1950-1961), trabalhando na supervisão de grupos clínicos e desenvolveu uma prática médica de treinamento conhecida como Grupo Balint. Neste, as experiências de todos eram discutidas, com ênfase na relação médico-paciente.


Michael Balint publicou dez livros e 165 artigos. O livro "O médico, seu paciente e a doença", encontra-se na biblioteca da Suprema.

 

 

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